| Fonte: Wikimedia |
E eis que, 13 anos depois, volto a assistir Carga Explosiva (o primeiro filme da série). Tudo por insistência e uma vontade louca de minha esposa em voltar a assistir filmes que gostamos. Tá bom, não foi só, também as vezes acordo com nostalgia e quero rever filmes que me deixaram muito empolgados (e olha que não são poucos).
Sobre o filme:
Sem dúvida, este é um filme de ação! E o sabe ser muito bem! A trama é simples, não precisa de conhecimento prévio ou explicação durante as cenas. A verdade, não há explicação nenhuma. Todo mundo aceita as coisas como são e ponto final. Focar nas cenas de perseguições (que realmente são fantásticas) e nas cenas de luta é o que importa.
Afinal de contas, ninguém vai a um filme de ação esperando sair maravilhado com as interpretações ou esperando ser um crítico da direção (só eu :o). Filme de ação bom mesmo é aquele que você fica doido para ser igual ao artista. E eu sai deste querendo comprar uma BMW. Pode ter certeza que ainda comecei a juntar dinheiro!
Mas se as interpretações não são perfeitas, diria que o melhor do filme são os personagens.
Os personagens e os atores:
O grande cara é um ex-militar aposentado que acaba trabalhando como transportador (dai o nome do filme). E como ex-militar, ele carrega os vícios de praxe: pragmático, gosta de regras (a ponto de citá-las várias vezes), mantêm uma disciplina rígida (o que o faz ser o melhor) e vive sozinho.
| Fonte: IMDB |
A profissão então "casa como uma luva" para Frank Martin. E melhor fica quando o ator que o interpreta é o Jason Statham (este cara ai ao lado).
Nota: Na verdade, este filme meio que moldou a personalidade do Jason em todos os seus futuros filmes. Por exemplo, no filme Mercenários, ele é o cara quando o assunto é carro. Ficou impossível separar um do outro.
Outro personagem que deve ser lembrando é o Inspetor Tarconi (interpretado pelo François Berléand). Um detetive com muito tempo de casa e que, sem deixar de ser honesto, aceitou que nem tudo deve ser controlado. Existem bandidos e "bandidos". E que, sempre que possível, uma ajuda é bem vinda (mesmo que ela não seja oficializada).
| François Berléand. Fonte: IMDB |
As personalidades são tão parecidas que não é a toa que ambas são levadas para os dois próximos dois filmes da franquia e além, quando é introduzida uma série de TV com o mesmo nome.
Nota 2: Na série (veja aqui), os personagens são conservados. Ainda são Frank Martin e Inspetor Tarconi, mas o ator do Frank é substituído. Aceitável, mas muito estranho quando alguns clichês do filme (como quando tentam quebrar a precisão do contrato e o transportador é rígido a ponto de arriscar ser preso).
Os diretores:
O filme apresentou tantas cenas de lutas que contou com um diretor exclusivo para este papel. Corey Yuen, como você nunca ia adivinhar, é um diretor chinês (participou de alguns filmes como ator também) e carrega nas costas filmes como X-Men e os outros dois filmes da série (Transporter 2 e Transporter 3). Sem contar, é claro, que o cara é grande conhecido do Jet Li, inclusive teve seu dedo no filme Os Mercenários.
O segundo cara é o Louis Leterrier. Opa, eu falei segundo cara? Devo estar totalmente por fora porque este cara aqui foi o que dirigiu o melhor filme do Hulk de todos os tempos (sem mentira!), O Incrível Hulk, com Edward Norton.
No filme em questão, ele é o responsável por toda a direção artística.
A direção:
Existem dois tipos de luta: a luta seca e a luta estilo tigre e o dragão. A luta seca é aquela que os murros são secos (pa, pum, osso quebrado! argh!). Já a luta do tigre, conta a mais fantasiosa, onde o ambiente é mais explorado. E acredite quando eu digo que o transportador gosta do primeiro tipo de luta.
É normal ver o primeiro tipo de luta nos filmes do ocidente (onde violência é levado a sério).
As coreografias são básicas e Yuen gostou de explorar espaços pequenos (deixando as lutas mais rápidas e mais aceitáveis quando tenta-se questionar porque somente um luta contra muitos). Veja os exemplos da briga que Frank teve dentro do ônibus ou no contêiner. Neste tipo de filmagem, a câmera tende a ficar mais perto dos atores. E com esta justificativa, dá para fazer aquele close de um segundo na cara dos personagens (com direito a sorrisinho do tipo "já ganhei").
E se as lutas acontecem em pequenos espaços, quando não estão distribuindo socos, os atores estão em ambientes altamente espaçados (o que acaba por ficar visível a divisão de papeis na direção). Por exemplo: as cenas na casa do Frank são sempre muito claras e eles geralmente estão andando na parte de fora, ou a cela em que Frank e o Inspetor conversam (uma grande cela em uma grande sala).
Se fosse passível de interpretação, afirmaria que fica claro a liberdade e a aceitação que os dois amigos demostram um pelo outro.
Nota 3: Se você já assistiu o "Hulk do Edward Norton", deve ter notado que a maior cena de luta acontece em um espaço totalmente aberto (o campus de uma universidade). Característica do Louis Leterrier?
Nota 4: Outra parte interessante é a que o Frank salta de paraquedas para tentar chegar no caminhão. Durante toda a cena da chegada, a câmera está postada distante dos atores, mas quando ele alcança, as cenas passam a mostrar mais aproximação. Outra diferença entra as direções?
Ou eu tô falando besteira. Pode ser só porque ele queira mostrar mais adrenalina quando deixa os personagens mais pertos! :)
Falhas?
Não sei se podem ser consideradas assim, mas com certeza algumas aparições clássicas (ah, qual é?! O filme tem mais de 12 anos e não é nem um pouco justo tentar comparar efeitos especiais com os atuais, certo?) como os bonecos que insistem em contracenar. Como eles são insistentes! :)
A melhor parte?
Sem dúvidas foi a apresentação do personagem principal ao público (logo na primeira cena ).
Uma vez escutei que a entrada do personagem é a parte mais importante! O ator deve dar tudo de si para passar o máximo possível em 5 segundos. São estes segundos que fazem o publico gostar ou não (e acredito que todo mundo gostou do Frank).
Vou deixar um link com o pedaço da fuga aqui. Como sou novato nisso aqui, ainda não consegui colocar o vídeo para rodar direto, mas segue: https://www.youtube.com/watch?v=z1TKpyHvFGU.
Então, vale a pena?
Muito. Mas vá esperando momentos de desligar o cérebro, relaxar no sofá e procurar na internet os carros mais potentes para comprar depois de assistir ao filme (e acredite quando eu digo que se o seu carro for 1.0, vai penar é muito na próxima semana).
Grande abraço,
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